É preciso ter fatos e dados!

Olá

Eu sou Mauro Duarte da DH10 Quality e tenho como meta neste artigo abordar o tema MSA – Análise de Sistemas de Medição, destacando a sua relevância no contexto do controle da qualidade.

Todos sabemos o quanto é importante analisar dados de medição e os comparar com os limites de controle estatísticos dos processos.

Ao meu ver é fundamental para todo o profissional que se serve destes dados, ter a capacidade de compilar estas informações de forma intuitiva e é importante também que este consiga determinar ações e ajustes com agilidade, visando reduzir desperdícios e peças não conformes.

A análise destes sistemas de medição também permite validar métodos e desenvolver experimentos, considerando variações de matéria prima, ajustes de máquinas, influências de operadores, entre outras características que possam impactar nos resultados.

A ISO 10012 parte 1 nos reforça quanto a importância de realizar estudos para identificar a repetitividade, reprodutibilidade, linearidade e estabilidade de sistemas de medição e o guia MSA da IATF 16949 nos traz o caminho das pedras para ter este controle nas nossas mãos.

A tomada de decisão baseada em dados estatísticos traz segurança e confiabilidade para quem deseja evidenciar na prática o nível de qualidade das suas medições.

A tendência dos resultados em relação a um valor de referência, bem como a dispersão de dados (variância) devem ser acompanhados de perto por quem deseja realizar estes estudos.

Independente de requisitos normativos penso que gerir os resultados das medições é a melhor forma para sabermos se os nossos investimentos foram corretos e se estamos atingindo os nossos objetivos e indicadores, bem como se estamos atendendo a requisitos dos nossos clientes.

Os principais objetivos e ganhos desta metodologia são:

– Maior confiabilidade;

– Conhecimento da real capacidade do instrumento;

– Controle preventivo do processo de medição;

– Redução de retrabalhos e perdas;

As variações estatísticos obtidas no estudo de MSA, podem ser utilizadas como componentes de Incerteza do tipo A, caso você deseje calcular a incerteza expandida das suas medições.

A realização de Estudos de MSA e IM certamente irão fazer a diferença no seu controle da qualidade e desta forma as decisões serão baseadas em fatos e dados e não apenas por intuição ou prevenção.

Você pode contar com a gente, caso deseje saber mais sobre estas metodologias.

Avaliação dos Certificados/Relatórios de Calibração, Análises e Ensaios.

Irei abordar neste artigo o tema Avaliação dos Certificados/relatórios de Calibração, Análises e Ensaios.

A ISO 17025 relata claramente o que deve constar nestes documentos e é a norma adotada pelo INMETRO para auditar laboratórios prestadores de serviços.

Você  realiza calibrações, análises ou ensaios internamente?

Então, você precisa dominar a ISO 17025 para estruturar adequadamente esta atividade no seu laboratório.

Terceiriza a calibração?

Caso você utilize serviços externos sugiro que contrate um laboratório acreditado pelo INMETRO, pois a probabilidade de teres problemas com as informações que constam no certificado são mínimas, mas claro, podem ocorrer falhas e por este motivo é sempre bom você ficar atento e revisar ao receber os certificados/relatórios.

O problema de utilizar laboratórios somente rastreados ao INMETRO é que nenhum organismo reconhecido avaliou a competência deste provedor para emitir tais documentos, gerando sérios problemas quanto a falta de dados importantes ou a inconsistência de informações, principalmente no que se refere a incerteza de medição.

O conteúdo do certificado estar normalizado é de extrema importância, mas como você irá avaliar estes certificados?

Qual será o seu critério de aceitação?

O primeiro passo é identificar os intervalos de tolerância do processo, é neste ponto que muitas vezes o metrologista ao ver as características do instrumento vê que herdou um problema, devido a “alguém” por “algum” motivo ter comprado errado o instrumento, pois suas características de resolução e/ou capacidade não condizem com os limites de processo.

As tolerâncias em boa parte dos casos, estão bem claras em desenhos e instruções de trabalho, mas muitas vezes estão apenas na cabeça de quem domina o processo, nestas situações é necessário ser um detetive ou arqueólogo, sendo que este problema é muito comum em processos de iniciais de controle e gestão metrológica.

Tendo os intervalos de tolerância e o certificado de calibração, é necessário extrair as informações do certificado para atestar que o instrumento está ou não adequado ao uso pretendido.

A grande maioria das empresas usa a seguinte equação/critério:

Emáx + IM  ≤  IT/3

Nesta equação acima são considerados apenas o erro e a incerteza na calibração do instrumento, comparando-se após com o IT do processo dividido por um fator de segurança que normalmente é adotado como 3.

Sabemos que existem outras variáveis que impactam na qualidade da calibração, análise ou ensaio, tais como a resolução, erro de forma, excentricidade, linearidade, robustez, repetibilidade, reprodutibilidade, variações térmicas, entre muitas outras coisas.

Enfim, são tantas fontes de incerteza que precisariam ser consideradas, que a maior parte dos metrologistas preferem ou precisam simplificar.

Com o advento da indústria 4.0 e a maior disponibilidade de softwares e sistemas de controle, tenho esperança que este panorama mude, pois será mais fácil de calcular as incertezas e variações em tempo real, fazendo com que a incerteza expandida seja possível de ser considerada.

Um desejo meu seria que as empresas adotassem a ISO 14253 e descontassem as incertezas das tolerâncias de processos, minimizando drasticamente os índices de perdas e retrabalhos, bem como as disputas entre as partes, quanto a conformidade ou a não conformidade das peças.

ISO 14253 – Parte 1

Segundo os dados do European Parliament Service a Indústria 4.0 irá influenciar consideravelmente a economia mundial, com potencial de gerar ganhos de eficiência de produção entre 6 e 8%.

Outro problema, é que boa parte dos metrologistas extraem da tabela de resultados o maior erro e a maior incerteza e isto é completamente equivocado, pois deve-se considerar no calculo a maior soma de erro e incerteza (em linha).

Vide exemplo:

Na tabela acima o correto é considerar:

Emáx = 0,6mm

IM = 0,2mm

Nos nossos treinamentos percebo que muitos metrologistas consideram de forma equivocada o maior erro e a maior incerteza independente do ponto (Emáx = 0,6mm e IM = 0,5mm), gerando avaliações incorretas e inconsistentes.

A minha dica final é que você e a sua equipe revisem se os conteúdos dos certificados e relatórios estão conforme a ISO 17025 e que sejam utilizados critérios de aceitação coerentes e que considerem a criticidade do processo.

Você pode deixar aqui os seus comentários e sugestões sobre este tema.

Forte abraço!

O resultado de medição deve acompanhar uma estimativa da Incerteza.

Olá

Eu sou Mauro Duarte e vou abordar neste artigo o tema Incerteza de Medição. Não é mais possível admitir que uma empresa que realiza medições não execute estudos específicos para expressar a Incerteza de Medição em seus relatórios.

Um resultado sem a sua estimativa de incerteza ao lado não possui credibilidade.

Sério, isso é vital para tornar mais confiáveis as medições.

Mas porque estes cálculos são importantes?

Toda a medição está sujeita a alguma variação. Um resultado de medição só é completo se for acompanhado por uma declaração de incerteza na medição. Estas variações podem ser oriundas do instrumento de medição, do item que está sendo medido, do ambiente, do operador e de outras fontes, sendo que tais incertezas podem ser estimadas usando análise estatística de um conjunto de medidas e usando outros tipos de informações físicas sobre o processo de medição. Existem regras estabelecidas para calcular uma estimativa geral de incerteza a partir dessas informações individuais.

Este cálculo é fundamental porque permite uma estimativa referente a variação do resultado, bem como o quanto podemos confiar e tomar decisões de aprovação ou reprovação de produtos e serviços.

A omissão da área Metrológica, nesse processo pode ser uma falta grave, gerando prejuízos para a organização, bem como a perda da confiança de clientes internos e externos.

A utilização desta metodologia é intimidada pelo fato de parecer complexa e de difícil implementação. Bobagem!

Não é nenhum “bicho de 7 cabeças”. É uma construção que pode ser realizada de forma gradativa, pois não precisamos virar cientistas malucos de uma hora para outra.

Comece agora escolhendo um processo de medição relevante, no qual você conhece e sabe que existem fatores que podem estar influenciando nos resultados.

Você pode reunir a sua equipe e fazer um brainstorm sobre possíveis influencias ou se preferir pode utilizar a ferramenta “Espinha de Peixe”.

Faça o seu melhor com os recursos que você tem disponíveis.

Não há desculpa para não começar!

Para te ajudar com isso, vim aqui compartilhar os meus aprendizados em anos de atuação com calibração e controle dimensional:

  • Defina qual a metologia que você irá utilizar para calcular a incerteza de medição, sendo que no Brasil o guia mais utilizado é o EA-4/02;
  • Certifique-se de que a resolução do instrumento é compatível com a tolerância do processo. Você pode utilizar a regra dos “10” declarada no Guia MSA da ISO 16949;
  • Tenha todos os instrumentos e padrões utilizados calibrados em laboratórios confiáveis e rastreados a organismos oficiais e reconhecidos;
  • Defina a norma e o método a ser utilizado e verifique quais as especificações referente a condições ambientais;
  • Certifique-se de que as pessoas que realizam as calibrações e medições foram treinadas;
  • Defina o número de ciclos de medições;
  • Saiba calcular o desvio padrão, pois ele fornece informações importantes quanto ao nível de qualidade do seu resultado;
  • Você pode realizar um estudo de R&R e considerar o mesmo no seu cálculo de IM;
  • Identifique as fontes de IM do tipo “A” e “B” e as trate com divisores recomendados, tendo em vista poder combinar em uma soma quadrática;
  • Após combinar as fontes calcule os graus de liberdade e em seguida certifique-se na tabela de student qual é o fator de abrangência K;
  • Agora você estará bem perto de ter a sua IM expandida, basta apenas multiplicar o K pela Incerteza Cominada e pronto, você terá o seu primeiro calculo de IM;
  • Elabore uma planilha em excel para ter seus estudos automatizados;
  • Valide a sua planilha e a proteja;
  • A dica final é que você não seja muito preciosista, pelo fato de que isto pode travar a implementação;
  • Aceite sugestões de clientes internos e externos, bem como de auditores e busque a melhoria continua todos os dias;

Para concluir, eu quero te lembrar que os estudos de incerteza de medição podem funcionar como validadores de métodos, principalmente quando se tratar de calibrações e medições não normalizadas.

Eu precisaria falar isso, mas a minha recomendação é que você inicie logo, pois você não deve estar fornecendo resultados sem ter uma segurança de que os mesmos são confiáveis.

Mas me diga agora o que você pensa sobre isto?

Você sabe estimar a variação das calibrações e medições que realiza?